quarta-feira, agosto 23, 2006

As minhas (des)aventuras pela língua alemã - Parte 1

Não é raro acontecer-me perguntarem-me o que gosto mais de fazer nos tempos livres. Perante a minha resposta invariavelmente simples, "estar com as minhas filhas e a minha esposa" e "ler em alemão", as reacções dividem-se entre a comiseração face a uma catástrofe que não consegui travar a tempo e a admiração à distância, que as tendências excêntricas normalmente despertam. Se me apetece ser particularmente provocador, acrescento deliberadamente "E linguística alemã !", e delicio-me com o resultado. Logo de seguida vem a perplexidade e a desconfiança : "E gostas ?" Mas nem todas as reacções evocam a mesma atitute negativa. Acontece-me também, embora mais raramente, confesso, partilharem do meu gosto pela língua alemã e então sou capaz de divagar sobre a estrutura gramatical, de me divertir com a estrutura frásica, de me surpreender com a eficiência das palavras compostas e de saborear o forte tempero da pronúncia.

O desequilíbrio das reacções à língua alemã e o domínio das apreciações negativas têm muito a ver com os estereótipos construídos à volta da língua alemã.

Conhecer a língua alemã implica, antes de tudo aprendê-la, o que pode ser uma verdadeira aventura : abrir caminho entre as declinações, unir ideias com conjunções, marcar o trajecto com os verbos para no fim do frase não perdermos o início, escalar as construções sinuosas das palavras compostas, sempre acompanhadas por combinações de sons nunca antes ouvidas, é de facto uma experiência marcante, onde o desafio se alia à persistência e as dificuldades são tão importantes como os avanços.

E porque os esterótipos negativos são normalmente o exagero das virtudes, é decerto possível encontrar também razões para, se não gostar, pelo menos compreender a língua alemã. Avaliá-la implica aprendê-la e este é naturalmente um processo moroso ( para quem não a assimilou na infância ! ) : Mark Twain calcula serem necessários trinta anos !!!!! No entanto, se a expectativa de vida ronda as oito décadas, há esperança de ainda o conseguir a tempo !!! eh eh eh

Prometo voltar brevemente a estas deambulações linguisticas ...

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