segunda-feira, agosto 28, 2006

Diferenças estruturais entre português e alemão e outras coisas afins

É sabido que o Português não pertence ao mesmo ramo linguístico do alemão, logo o "sistema" translatório entre português e alemão é substancialmente mais complicado que o "sistema" entre inglês e alemão.

Passo a explicar.

Quando se traduz do alemão, as dificuldades em encontrar correspondências aumentam, por comparação com as línguas românicas, pela própria natureza radicalmente diferente dos dois instrumentos linguísticos e suas particularidades estruturais : léxico de raízes distantes, estruturas sintácticas diametralmente opostas, a diversidade das formas gramaticais, a disparidade de ritmos ( em alemão apoiados por traços linguísticos como a variedade e a ductilidade das partículas, a natureza mais sintética da língua e a possibilidade imensa de construir formações vocabulares originais ), as referências culturais distintas, etc.

"Bottom line" : o alemão é uma língua sintética, ao passo que o português é uma língua analítica. "Sistemas" tão díspares não se misturam bem ... Por vezes é necessário encontrar um "sub-sistema" de permeio, que permita fazer uma "conversão" intermédia. Só a partir deste "sub-sistema" é então possível efectuar a tradução para alemão ou vice-versa. Para a gentes da Engenharia de Software, é mais facil de entender estes conceitos em termos da analogia com código-fonte, código-máquina e código-P.

Trata-se de um método equivalente ao usando nas linguagens de programação, em que antes do código-fonte ser convertido para código-máquina tem de ser previamente convertido no chamado "p-code". Este "p-Code" mais não é do que máquina virtual que tem como objectivo a portabilidade ! Nas línguas humanas não existe uma "máquina virtual" equivalente sistémica, ou seja, cada um de nós tem uma "máquina virtual" proprietária, que usamos a nosso belo prazer.

Nalguns dos modelos mais recentes de tradução que são usados na Internet, já se tenta ir nesta direcção, mas ainda sem resultados tangíveis. Falta encontrar a "máquina virtual" linguística ...

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