quarta-feira, agosto 23, 2006

Os caminhos da tradução

Obrigado a todos pelos comentários relativos à "tradução" do poema "Der Zauberlehrling" de Goethe. Sim, eu sei que fui temerário ...

Há uns anos lembro-me de ter lido uma crónica do Eduardo Prado Coelho, em que ele afirmava que as intervenções de um político ( de quem não me lembro do nome ), pareciam traduções do alemão. Isto pode ter várias interpretações. Ou as intervenções do senhor em questão seriam confusas ou, então, seriam as traduções feitas a partir do alemão, elas sim, confusas e artificiais ! Não me parece que nenhuma delas seja verdadeira. O alemão é uma língua hiper-estruturada, impositiva, substancialmente diferente de, por exemplo, o inglês ( apesar de provenientes do mesmo tronco linguistíco ).

Isto leva-nos à velha questão : ler no original ou ler uma tradução ( seja ela em português, inglês, etc ) ?

Poderá afirmar-se que há línguas pragmáticas ( inglês ), línguas metafísicas ( alemão ). O alemão é uma língua dúctil e cheia de surpresas, um instrumento que nos disciplina, nos refreia a tendência para a imprecisão, uma língua que se preocupa em dizer o essencial, sem lixo de qualquer natureza.

Ler traduções em português ( seja de língua for ) é arriscarmo-nos a ler outra coisa, que não aquela que o autor verteu para o papel no original ! Além deste facto, acresce dizer que as edições em português são quase sempre mais caras que as originais.

Com isto, não quero dizer que devam ser eliminadas as leituras "traduzidas", mas sim que devemos ter cuidado nas escolhas que fazemos. Duma maneira geral as traduções que são vertidas para o alemão e inglês são de grande qualidade.

Infelizmente em português há "traduções" que o não são !

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